2 de setembro de 2010

Um tanque bem grande

Passei três meses num hotel no centro de São Paulo. Eu frequentemente usava a banheira para lavar roupa. Talvez isso fosse um tipo de intervenção. Tinha toda uma manha: acordava mais cedo para misturar a água quente e o sabão em pó, depois jogava a roupa, ficava mexendo, girando, pra ver se a sujeira soltava, e depois pendurava tudo em cabides no cabo da cortina da banheira mesmo. Sabe que sem amaciante nem nada ficava bem retinha e limpinha? Aí eu ficava alternando entre deixar a porta do banheiro aberta ou fechada, não lembro o que funcionava melhor. Mas em três meses nunca gastei um centavo com lavanderia do hotel.

Emiliano Urbim, São Paulo

28 de agosto de 2010

Texturas

Eu gosto (e não gosto) de texturas de carpetes, cortinas, almofadas… Acho que já deu pra ver. Mas, gosto mais ainda de texturas de fotos feitas de forma simples. No jornal, não consigo usar esse tipo de foto, mas gosto de usar meu celular para fazer registros: a luz meio estourada, as cores distorcidas e contrastadas dão um clima diferente.

Acabei de me hospedar nesse hotel e estava sem a câmera. Tinha deixado no jornal. Aproveitei para fotografá-lo com o telefone:

Assim de longe parece simpático, não?

Ar condicionado sem controle. Ligado (e barulhento) ou desligado (e abafado)?

A janela também era cheia de textura.

Não é linda?

Essa noite foi estranha. O lugar parecia legal até sair do elevador. A porta já revelava o que viria pela frente:

Se nem a porta é conservada, imagine o resto.

O quarto, como deu pra ver, não era nada aconchegante. Para piorar, havia muito barulho. Parecia que a cidade estava dentro do quarto.

No início quis sair correndo. Mas, depois fui me entregando, entregando e acabei dormindo profundamente. E foi uma das melhores noites dos últimos tempos. Só acordei com o despertador, como se nunca eu tivesse tido insônia. Foi tudo o oposto do que eu sentia e imaginava. Talvez não tenha sido o hotel. Talvez seja eu mesma. Vamos ver o que vai acontecer hoje.