Arquivo de agosto de 2010

Texturas

sábado, 28 de agosto de 2010

Eu gosto (e não gosto) de texturas de carpetes, cortinas, almofadas… Acho que já deu pra ver. Mas, gosto mais ainda de texturas de fotos feitas de forma simples. No jornal, não consigo usar esse tipo de foto, mas gosto de usar meu celular para fazer registros: a luz meio estourada, as cores distorcidas e contrastadas dão um clima diferente.

Acabei de me hospedar nesse hotel e estava sem a câmera. Tinha deixado no jornal. Aproveitei para fotografá-lo com o telefone:

Assim de longe parece simpático, não?

Ar condicionado sem controle. Ligado (e barulhento) ou desligado (e abafado)?

A janela também era cheia de textura.

Não é linda?

Essa noite foi estranha. O lugar parecia legal até sair do elevador. A porta já revelava o que viria pela frente:

Se nem a porta é conservada, imagine o resto.

O quarto, como deu pra ver, não era nada aconchegante. Para piorar, havia muito barulho. Parecia que a cidade estava dentro do quarto.

No início quis sair correndo. Mas, depois fui me entregando, entregando e acabei dormindo profundamente. E foi uma das melhores noites dos últimos tempos. Só acordei com o despertador, como se nunca eu tivesse tido insônia. Foi tudo o oposto do que eu sentia e imaginava. Talvez não tenha sido o hotel. Talvez seja eu mesma. Vamos ver o que vai acontecer hoje.

Quarto 17 forever

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Por oito anos consecutivos, minhas férias de infância tinham local definido: Garopaba. Mais do que local definido, por oito anos consecutivos ela teve um número definido: 17. Esse era o número do quarto de hotel que ficávamos todos os anos. Não podia ser outro. “Esse é o melhor quarto”, meu pai explicava. Nervoso, toda vez que ligava para fazer a reserva, frisava que tinha de ser esse quarto. Quando chegávamos da viagem no hotel, ele perguntava na recepção se era mesmo o 17. Pra mim sempre foi algo estranho de ver, pois eu nunca entendi porque o 17 foi eleito o melhor de todos pelo meu pai. Tinha uma linda vista para o mar, assim como todos os outros, e era do mesmo tamanho também. Ele não era um quarto especial, mas ficou claro para mim que, para um homem obcecado por rotina como o meu pai, o 17 era o melhor quarto de todos, pois era o quarto com o qual ele estava acostumado.

Tanto que, no ano em que completaríamos nove anos “morando” no quarto 17 nas férias do verão, meu pai se atrasou na reserva e, ao ligar, descobriu que ele estaria ocupado. Ele engasgou no telefone. “Deve haver algum engano!”. Mas não. O quarto 17 não era mais nosso.

Viajamos até Garopaba com meu pai certo de que, ao chegar, poderia desfazer a situação. Mas, ao chegar, deparou-se com a realidade: para nós, restava o quarto 19. A insatisfação no rosto dele era visível. Embora o quarto fosse exatamente igual, nada ali era familiar para ele. Teve insônia os 15 dias de férias e, toda vez que cruzava com os novos “inquilinos” do quarto 17, frisava baixinho para nós: “gente sacana”. Como se tivessem surrupiado para ele parte das nossas lembranças de verão.

Renata, Porto Alegre