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Dona Matilde

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A dona Matilde escreveu um relato sobre a pauta que fiz na casa dela. Resolvi publicar:

Já era a quinta jornalista que eu estava esperando naquele dia. De manhã vieram os do rádio e da TV. Agora seria uma fotógrafa. Por que simplesmente não me deixam em paz? Esse barulho todo também tinha um lado positivo, estava ganhando tempo e quem sabe algumas opiniões a favor.

O relógio marcava cinco da tarde. Mal o ponteiro dos segundos tinha completado a primeira volta das cinco, a campainha tocou. Pelo menos essa era pontual. Andei até a porta sem pressa. Abri. Era uma moça ainda jovem, apesar de parecer um pouco mais velha por causa das olheiras e do cabelo preso num rabo de cavalo.

- Dona Matilde, sou a Alice.

- Pode entrar minha filha. Fica à vontade.

Alice entrou e começou a montar a câmera com agilidade. Enquanto encaixava as peças, olhava cada detalhe da sala. Era a primeira pessoa que não emendava uma pergunta depois da outra, antes mesmo de entrar na casa. Mas o silêncio me perturbava tanto quanto o mar de questionamentos.

- Aceita um café? Acabei de passar. Está fresquinho.

Alice tirou o olho da lente da câmera e assentiu com a cabeça. Esboçou um leve sorriso.

- Sem açúcar, por favor.

Sentamo-nos à mesa. Ela me fotografou com a xícara de café nas mãos, nem deu tempo de dizer nada.

- Sabe… Eu vim morar nesse apartamento logo que eu casei. Os meus filhos cresceram aqui e aqui eu vivi toda a minha vida. Eu não quero ir para outro lugar. Preciso disso para continuar vivendo.

A moça não falava nada. Tomava o café e me ouvia como se nada ou tudo de uma vez só fizesse sentido. Acabou o café me olhou nos olhos.

- Obrigada.

Levantou-se e foi até a janela. Tirou uma foto da rua. Voltou e me mostrou no visor da câmera as fotos que tinha feito.

- Sai amanhã no jornal.

Me estendeu a mão. Cumprimentei-a de volta. Já não sabia mais o que fazia menos sentido. O silêncio daquela moça, a minha vontade de continuar ali a qualquer custo ou a minha angústia por algum diálogo.

A moça saiu, insistiu que se eu quisesse as fotos, telefonasse para o jornal. Eu fiquei, sem saber se queria alguma coisa.

Não é muito fofa a gata da Dona Matilde?

Chimarrão

quarta-feira, 2 de junho de 2010

um bom companheiro de trabalho

Aprendi a tomar chimarrão com um certo esforço. Acho que levou uns dois anos, depois que cheguei aqui, para me convencer de que poderia ser um bom companheiro de trabalho e de leituras. O bom disso é que no inverno, que já está chegando, ele aquece e mantém a atenção. Agora, por exemplo, estou bebendo chimarrão, preparado com erva-mate misturada com chás. Ah, os chás, esses sim, eu adoro.