Arquivo da Categoria ‘Conte sua história’

Birigui

sexta-feira, 1 de abril de 2011

“Viajando por várias cidades do interior de São Paulo, através da Viagem Teatral do Sesi, nós éramos três mulheres e sempre dormíamos no mesmo quarto para economizar. Chegando em Birigui, o quarto era muito estranho, portas de cor marrom caramelo e o quarto era triplo mas com uma divisória. As duas ficaram juntas numa parte do quarto e eu fiquei para lá da divisória, sozinha. Quando anoiteceu, coisas estranhas começaram a acontecer como a luz do quarto apagar e depois acender, apagar de novo e acender, água da bica começar a escorrer, e então fiquei sem dormir. Altas horas olhei para a porta e tinha uma figura de uma Nossa Senhora! coisa que eu não tinha antes! Cismei que ela tinha aparecido para mim ali, naquele quarto, durante aquela insônia e queria me dizer algo, fiquei com medo, ela me olhava fixamente, eu não conseguia me mexer na cama e nem levantar e nem acender a luz, até que em algum momento rezei e consegui dormir. De manhã olhei de novo e tinha nada mais que uma mancha na porta. Fiquei sem saber se foi ela que deixou a mancha ali, ou se sempre foi uma mancha.”

Luisa Friese, Rio de Janeiro

Liberdade confinada

sábado, 29 de janeiro de 2011

Viver por opção em uma relação encadeada de responsabilidades em que o eu próprio só subexiste, e a valorização é um elemento desnecessário tem por denominação casamento. Ou o exercício do amor ao próximo mais proximo só que não é vc.
Afinal existem prioridades, sempre mais importantes que vc.

Na primeira oportunidade de viagem para um curso em produção teatral, eu mal cabia em mim, deixaria uma casa linda, um maridão e uma filha Maravilhosa por 4 dias e um quarto simples de hotel. Lá seria meu reino. E foi assim que no primeiro dos quatro dias eu já me sentia senhora de mim livre como se nada dependesse de mim, em que a minha necessidade era uma ordem imediata satisfação total e com todo aquele silêncio eu poderia ou não interferir, afinal eu tinha opções.

Durante todo aquele tempo, eu reinei absoluta naquele quarto simples e quase feio. Pulei na cama, cantei ao som do mp4 dormi até a hora que eu quis, dei longos telefonemas não para casa, é claro, pois eles também ainda não sentiam saudades.

Se bem que no mesmo quarto houveram momentos desconcertantes, do tipo e agora o que eu faço… era tanta opção que eu engessei em vários momentos pela inabilidade de lidar com tanta liberdade, do tipo eu saio pra jantar ou peço uma pizza, convido alguém ou vou sozinha, flerto ou me culpo por pensamentos inapropriados, esquisito hein.

Só sei que por absurdo que parecesse no quarto dia já estava exausta da situação e louca varrida para ir embora, do tipo de antecipar horas possíveis o retorno. Bem somos uma contradição, não é mesmo?


Martinha, Bagé/RS