Viver por opção em uma relação encadeada de responsabilidades em que o eu próprio só subexiste, e a valorização é um elemento desnecessário tem por denominação casamento. Ou o exercício do amor ao próximo mais proximo só que não é vc.
Afinal existem prioridades, sempre mais importantes que vc.
Na primeira oportunidade de viagem para um curso em produção teatral, eu mal cabia em mim, deixaria uma casa linda, um maridão e uma filha Maravilhosa por 4 dias e um quarto simples de hotel. Lá seria meu reino. E foi assim que no primeiro dos quatro dias eu já me sentia senhora de mim livre como se nada dependesse de mim, em que a minha necessidade era uma ordem imediata satisfação total e com todo aquele silêncio eu poderia ou não interferir, afinal eu tinha opções.
Durante todo aquele tempo, eu reinei absoluta naquele quarto simples e quase feio. Pulei na cama, cantei ao som do mp4 dormi até a hora que eu quis, dei longos telefonemas não para casa, é claro, pois eles também ainda não sentiam saudades.
Se bem que no mesmo quarto houveram momentos desconcertantes, do tipo e agora o que eu faço… era tanta opção que eu engessei em vários momentos pela inabilidade de lidar com tanta liberdade, do tipo eu saio pra jantar ou peço uma pizza, convido alguém ou vou sozinha, flerto ou me culpo por pensamentos inapropriados, esquisito hein.
Só sei que por absurdo que parecesse no quarto dia já estava exausta da situação e louca varrida para ir embora, do tipo de antecipar horas possíveis o retorno. Bem somos uma contradição, não é mesmo?


Martinha, Bagé/RS




