29 de janeiro de 2011

Liberdade confinada

Viver por opção em uma relação encadeada de responsabilidades em que o eu próprio só subexiste, e a valorização é um elemento desnecessário tem por denominação casamento. Ou o exercício do amor ao próximo mais proximo só que não é vc.
Afinal existem prioridades, sempre mais importantes que vc.

Na primeira oportunidade de viagem para um curso em produção teatral, eu mal cabia em mim, deixaria uma casa linda, um maridão e uma filha Maravilhosa por 4 dias e um quarto simples de hotel. Lá seria meu reino. E foi assim que no primeiro dos quatro dias eu já me sentia senhora de mim livre como se nada dependesse de mim, em que a minha necessidade era uma ordem imediata satisfação total e com todo aquele silêncio eu poderia ou não interferir, afinal eu tinha opções.

Durante todo aquele tempo, eu reinei absoluta naquele quarto simples e quase feio. Pulei na cama, cantei ao som do mp4 dormi até a hora que eu quis, dei longos telefonemas não para casa, é claro, pois eles também ainda não sentiam saudades.

Se bem que no mesmo quarto houveram momentos desconcertantes, do tipo e agora o que eu faço… era tanta opção que eu engessei em vários momentos pela inabilidade de lidar com tanta liberdade, do tipo eu saio pra jantar ou peço uma pizza, convido alguém ou vou sozinha, flerto ou me culpo por pensamentos inapropriados, esquisito hein.

Só sei que por absurdo que parecesse no quarto dia já estava exausta da situação e louca varrida para ir embora, do tipo de antecipar horas possíveis o retorno. Bem somos uma contradição, não é mesmo?


Martinha, Bagé/RS

2 de novembro de 2010

Preso no banheiro

Eu e meu namorado estávamos hospedados num hotel muito antigo em Blumenau, Santa Catarina, quando fui tomar banho percebi que a porta não tinha um trinco muito confiável e não tranquei a porta. Prontamente avisei meu namorado que também não trancasse a porta, com o medo dela realmente não abrir. Naquela noite saímos. Quando voltamos ao hotel, passando pelo corredor que levava ao nosso quarto e escutamos “Ei amigo!” olhamos na volta e havia uma janelinha basculante qua dava pro corredor no alto da parede. Todos os quartos tinham uma janelinha e que devia dar para o banheiro. Esperamos mais um pouco e novamente “ei amigo!”. Meu namorado perguntou quem era. A voz da basculante pediu para que chamássemos alguém na portaria para salvá-lo de dentro do banheiro pois tinha se trancado. Não pudemos deixar de dar risadas. A situação era engraçada e poderia ter acontecido conosco. Sabe-se lá quanto tempo não ficou preso até alguém cruzar pelo corredor. Ligamos do nosso quarto para a recepção e fim de história.

Marina, Santa Cruz do Sul/RS